‘Morrer’ é vital, Jerônimo.

Quando as últimas evasões de membros de elite da OdeC nos Odeia pareciam prometer um tédio para 2010, aquele cômico Contínuo dos grandes juristas cariocas volta em grande estilo humorístico “explicando” Osama Bin Laden para “o mundinho ‘ecologicamente correto’, ‘multiculturalista’ e ‘consciente’ da ‘esquerda’ tutti-frutti pós-68″ também conhecido como as comunidades Olavo de Carvalho nos Odeia e Botequim Socialista do Orkut. Segundo o contínuo, Até uma exposição de petúnias deve ser mais interessante e inovadora que essas duas comunidades. A CA quase concorda com esta última frase do Aiatolá dos Cartórios e Foruns

Mas a graça do Contínuo não se resumiu a isso, a seguir o wanabe-rábula da Ilha do Governador mostra do que é capaz, divirtam-se.

Tudo começou quando o espinhento Crimsom perguntou

CRIMSON
Dúvida sobre Bin Laden!
Quando ele lutou contra os soviéticos ele era capitalista!Agora que luta contra os americanos,ele é comunista?

O Contínuo correu a a acudir

Contínuo
Crimson, meu filho, você só poderá entender as aparentes contradições na trajetória de Sheykh Bin Laden caso compreenda o fundamento espiritual de sua luta.

Ha ha, ninguém me pega! Vou pro carnaval do Rio!

Ha ha, ninguém me pega! Vou pro carnaval do Rio!

E começa a preleção…

Contínuo
Trata-se, com efeito, da visão de vai decididamente de encontro ao caráter utilitário, pragmático e ‘quantificável’ da modernidade, em nome dos valores perenes d’uma Ordem transcendente, atemporal. É, portanto, a contraposição essencial, transfigurada em conflito político, entre a dimensão contingente, transitória, cambiável e finita do TEMPO e a esfera necessária, permanente, imutável e infinita da ETERNIDADE; ou então, nos termos d’uma belíssima declaração do líder taliban, Mullah Omar (“Não tememos a morte, pois já estamos mortos; assim sendo, combatemos no Tempo, mas vivemos na Eternidade”), do confronto entre ‘guerreiros santos’ sublimados pela lux aeterna da Tradição, e vacilantes ‘homens ocos’ sob a égide do materialismo espiritual do Ocidente contemporâneo, seres avessos ao substrato mítico e religioso que lastreia seus alicerces históricos e culturais, em ruptura flagrante com as raízes mais atávicas de sua própria existência. Poderíamos aqui recorrer, confirmando a hipótese evoliana a propósito da unidade vital entre as diversas esferas da Tradição, às palavras de um guerreiro proveniente d’um universo cultural de todo distinto do de Bin Laden, o samurai Yamamoto Tsunetomo (1659 – 1719): “Todos os dias, sem falta, devemos nos considerar mortos. Existe um ditado dos antigos: ‘Saia de baixo do beiral do telhado, e você é um homem morto. Saia pelo portão e o inimigo está esperando’. Não é questão de ser cuidadoso. É considerar-se morto de antemão”. Em outras palavras: aqueles que combatem na Eternidade, isto é, cuja guerra assume uma dimensão cósmica, destarte transcendendo todos os limites do espaço-tempo, não podem ser derrotados pelos escravos do ‘Reino da Quantidade’, das sombras voláteis e fugidias do ‘Agora’, submetidos ao fluxo errático e transitório do Tempo.
Só quem for capaz de transcender a dicotomia clássica entre ‘esquerda’ / ‘direita’ compreenderá que Bin Laden é hoje um elemento axial na articulação política d’uma nova síntese dinâmica entre, por um lado, as sempiternas e vivificantes raízes da Tradição e, por outro, a miríade de perspectivas, à ‘esquerda’ e à ‘direita’, do antilberalismo e anticapitalismo. Vale sublinhar, aliás, que o próprio líder mujahid percebe com clareza, ainda que por vias distintas (notadamente em sua virulenta crítica à adoção, por parte de certos ulema e imams na Arábia Saudita e outros países muçulmanos, de esquemas conceituais oriundos da mentalidade laica da intelligentsia ocidental pós-iluminista), a essência primordial da tragédia política moderna: o conflito entre capitalismo e comunismo, liberalismo e marxismo, é a guerra fratricida entre dois ‘grandes irmãos’, incontrastável manifestação da contenda ancestral entre as duas cabeças de Janus, as duas grandes emanações da razão iluminista convertida em deidade secular, enquanto a Tradição, verdadeira inimiga de ambos, ausentava-se da ribalta histórica a partir de fins do século XVIII. A esse respeito, a famosa tese advogada pelo cientista político norte-americano Samuel Huntington a propósito da natureza do conflito central da contemporaneidade, cujo locus privilegiado seria a dicotomia Ocidente / Oriente, não passa de um espantalho, um ‘cavalo de tróia’, a ocultar, se calhar deliberadamente, a natureza essencial do conflito em tela, ou seja, que envolve o ressurgimento do ethos tradicional como força política atuante. Assim sendo, o antagonismo não é geográfico, nem tampouco político ou cultural; é, ao contrário, de índole ESPIRITUAL, no sentido mais profundo do termo.

Destarte, o confronto contra a URSS no Afeganistão, nos anos 80, e a jihad universal contra os EUA, a partir da década de 90, são tão somente fases d’uma única GUERRA, que opõe TRADIÇÃO x MODERNIDADE PÓS-ILUMINISTA.

Por fim, o emprego contra a URSS de recursos captados junto à CIA demonstra, emblematicamente, a genialidade tática de Bin Laden e a cegueira estratégica dos EUA, que, obcecados pela lógica então vigente na Guerra Fria, não foram capazes de avaliar as reais dimensões do projeto estratégico do Sheykh saudita.

O Jerônimo, impaciente morreu duas vezes enquanto o Contínuo explicava o “Sheykh saudita” ao mundinho tutti-fruti:

Jerônimo
Morri…
Destarte, morri novamente…

A resposta do Contínuo foi no estilo “faça o que eu digo, não o que eu faço”

Contínuo
‘Morrer’ é vital, Jerônimo. É só ‘morrendo’ que podemos despertar para horizontes antes insuspeitos.

Ha ha, como sou mau, levarei todos os haters para a Third Position! Morrer é vital! Viver é mortífero!

Ha ha, como sou mau, levarei os haters para a Third Position! Morrer é vital! Viver é mortífero!

À dúvida relevante da Zeza:

Zeza
Alguma idéia sobre quem vai ganhar essa parada, ou vai ser mais uma guerra eterna tipo “Anjos X Demônios”?

O Contínuo replicou enfáticamente

Contínuo
Zeza
Basta analisar a frase do Mullah Omar:

“Não tememos a morte, pois já estamos mortos; assim sendo, combatemos no Tempo, mas vivemos na Eternidade.”

Se vc de antemão já acredita viver na Eternidade, vc não pode ser derrotado num conflito que se dá sob a égide do Tempo.

Ademais, sabemos todos (ou pelo menos percebemos intuitivamente) que nós, os ocidentais, estamos cada vez mais céticos, cada vez mais destituídos de qualquer convicção profunda, cada vez menos seguros de nós mesmos; em contraposição à essa dinâmica, vemos no ‘Guerreiro Santo’ um estado de certeza plena, peremptória e inexorável a propósito de seus mais recônditos desígnios. A modernidade vacilante, descrente de si mesma, irreversivelmente submetida à precariedade da lógica temporal, incapaz de gerar qualquer estratégia discursiva nova de legitimação, não pode vencer os que “combatem na Eternidade”

Adicionalmente, o Contínuo esclareceu

Contínuo
Em tempo: não há erro tático mais primário que supor que seu inimigo reagirá, diante d’uma determinada situação, como vc mesmo reagiria. E foi exatamente o que os EUA fizeram no tocante ao Taliban e a AL Q’AIDA no Afeganistão: além da grosseira pretensão de imaginar que poderiam comprar a lealdade dos mujahideen com armas e dinheiro, o que demonstra uma total ignorância a propósito da noção de Taqiyya, que permite ao muçulmano mentir, dissimular, ocultar, etc., desde que em nome dos interesses dos Islã ou em situação de risco de vida.

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